Tobias Barreto

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Prefeito(a)  Atual: ESDRAS VALEROANO DOS SANTOS

Tobias Barreto surgiu com a construção de uma capela

No mesmo local da igrejinha do final do século XVI, está a igreja matriz Nossa Senhora Imperatriz dos Campos

Carla Passos

 Tobias Barreto a 127 km de Aracaju, surgiu no final do século XVI. Em um sítio de aproximadamente 40 tarefas onde hoje é a sede do município, apareceu uma imagem de Nossa Senhora. Em sua homenagem os camponeses construíram uma capelinha e fizeram residências em volta dela formando uma aldeia batizada de Paraíso, informa o livro “Tobias Barreto, a Terra e a Gente”, do escritor tobiense Aderbal Correia Barbosa.

“Logo depois para a surpresa dos moradores da recém-criada povoação, a imagem desapareceu. Dias depois ela foi encontrada em um matagal nas proximidades da povoação. Os habitantes do povoado conduziram de volta à capela, mas pouco tempo depois ela desapareceu outra vez e foi encontrada novamente no mesmo matagal”, diz o livro.

No local os moradores derrubaram a mata e construíram outra capelinha, onde hoje fica a igreja matriz Nossa Senhora Imperatriz dos Campos. O novo povoado recebeu o nome  Capela de Nossa Senhora dos Campos do rio Traripe, por estar situado às margens do rio, hoje o Real e por ser situado em uma vasta planície. O nome do povoado foi simplificado e passou a chamar-se Campos do Rio Real e depois apenas Campos.

Belchior Dias Moreira, conhecido como Belchior Dias Caramuru, por ser parente de Diogo Alvares Caramuru, foi o primeiro habitante de Tobias. Belchior tinha currais perto das confluências do rio Japeri com o rio Real. “Não resta dúvida sobre ter sido ele o notável colonizador do sertão do rio Real, onde chegou em 1599, após ter tomado parte na conquista de Sergipe, como um dos capitães de Cristóvão de Barros”, informa a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.

As terras de Campos, durante muitos anos, pertenceram ao morgado de Belchior. Iam dos limites de Lagarto até o rio Itapicuru, na Capitania da Bahia. Houve divergências entre o arcebispo da Bahia e Garcia d´Dávila Pereira, administrador do morgado, subordinado à esfera política e administrativa de Lagarto.

Em 20 de outubro de 1718 foi criada pelo arcebispo da Bahia, D. sebastião Monteiro a freguesia de Nossa Senhora dos Campos do Rio Real de Cima, no termo de Lagarto. Em1757, a freguesia tinha 125 sítios de pastores e agricultores e a população de 1350 habitantes. A sua extensão era de 20 léguas. No fim do século XVIII, Campos era o maior centro de exportação de couro e sola da Capitania de Sergipe. Em 1808 a freguesia tinha uma população de 2618 habitantes, sendo 1000 brancos, 500 pretos e os demais mestiços. A criação de gado era a principal atividade econômica. “O movimento do comércio de gado na feira já era de 2000 cabeças de animais sendo baixo o rendimento da agricultura”, diz a Enciclopédia. Era tão inexpressiva a agricultura que os habitantes iam comprar farinha em Estância. Atualmente, o movimento do comércio de gado ainda é grande. São vendidos todas as segundas na feira na cidade, de 800 a 1000 cabeças, e por isso , a feira de Tobias é considerada uma das maiores do Estado.

Por decreto provincial de 17 de janeiro de 1835, o povoado de Campos foi elevado à categoria de vila. Em 1909, pela lei 550, de 23 de outubro, Campos é elevado á  categoria de município e em 7 de dezembro de 1943, o município e o distrito de campos passaram-se a denominar-se Tobias Barreto, pelo decreto-lei estadual n.º 377, de autoria intelectual do professor Sebrão Sobrinho. De acordo com o livro “Tobias Barreto, a Terra e a Gente”, 17 anos depois, alguns “campistas” ainda tentaram a volta do antigo nome, mas sem resultado. Entre eles estava Muniz Santa Fé, como é conhecido José Francisco Meneses. (Ver poesia escrita por ele na época).

Pelo quadro de divisão territorial, em 1950, Poço Verde, Samambaia (ex-igreja nova) e Tobias Barreto são distritos do município, mas pela lei estadual 525-A, de 256 de novembro de 1953, o Tobias perdeu o distrito de Poço Verde, que foi elevado à categoria de município.

 COMÉRCIO DE CONFECÇÕES

 Na década de 70, Tobias Barreto começou a se destacar no comércio de confecções em geral, inclusive bordados, chamados de rechiliê. As mulheres saíam dos povoados para vender os bordados na cidade e os baianos começaram a freqüentar Tobias para comprá-los , então surgiu a feira da coruja. Em 1986, o centro comercial de Tobias foi inaugurado, para onde a feira foi transferida. Hoje o comércio de confecções da cidade decaiu, principalmente por da grande quantidade de impostos, que os comerciantes tem de pagar. Alguns fecharam suas portas e outros encontraram como forma de se libertar da política tributária do Estado se mudando para o povoado de Lagoa Redonda, no vizinho município baiano de Itapicuru. Depois que a ponte que separa os Estados de Sergipe e Bahia foi construída, mais de 70 empresas já se instalaram no povoado baiano.

Apesar da produção de bordados de Tobias Barreto ter decaído, o município ainda mantém a traição secular desse tipo de arte. Presença de destaque em vários eventos culturais, o artesanato de Tobias Barreto é famoso em todo o Estado.

 Campos do Rio Real

 

* Muniz Santa Fé

Vários artigos na imprensa sergipana

Muito dizem da ilustre mocidade

A cada hora, mais forte e soberana

Defendendo este nome da cidade

 

Eis que se travam, lutas gloriosas

O nome destes campos defendendo;

Relembram as mudanças desastrosas

E por aí se vão enaltecendo

 

É  Campos gloriosa e sempre altiva

A vibrar nestes prélios de harmonias

Uns defendendo a glória primitiva

Outros a fama heróica de Tobias...

 

Relembram Fórum e bronze levantado

Em homenagem ao grande brasileiro

Cujo ponto, deveras alcançado

Bem rememora porte tão guerreiro

 

Querem que a terra volte ao nome antigo

Neste ano do seu cinqüentenário

Ponham estátuas ,e, de modo sempre amigo

Lhe ergam Fórum, bronze, educandário...

 

Que mocidade heróica desta terra...

Que imensa a grandeza destes filhos!

Terçando armas na luta, nem se aterra,

Nem se afastam, serenos, dos seus trilhos

É brilhante e fecunda a nossa gente

E garbosos seus jovens estudantes

Pela glória maior deste ambiente

Se fazem nobres, altivos e gigantes:

 

Aderbal, valoroso lembra Humberto

E Rosa Neto, terçando em  maestrias

Já se aprofunda, se achega mais de perto

Nunca se esquecendo as glórias de Tobias!

 

Surgem, Correia e Ramos de Oliveira

O Noel e o Jugurta Montalvão

O Epifânio levanta uma trincheira

E vem o Zózimo e outros, com  o Sebrão

 

Lutemos serenos, calmos com alegrias

E façam dessa terra sem igual

O maior trono das glórias de Tobias

Nesta Campos feliz do rio Real

 

A mocidade espera prazenteira

No gesto deste povo soberano

Que a glória de Tobias, verdadeira,

Seja a glória de seu povo sergipano...

 * Ou José Francisco Meneses, hoje com 84 anos. Ele é primo de segundo grau de Tobias Barreto de Menezes. O poema foi escrito em 1959 sobre a polêmica que surgiu na cidade, quando alguns intelectuais da cidade  sugeriram que o nome do município voltasse a ser Campos do Rio Real e publicado no livro de poesia Da Aurora ao Crepúsculo, de José Menezes.

Tobias Barreto: filósofo, ensaísta, jurista, crítico, polemista, educador e político 

Tobias Barreto de Menezes nasceu em Campos, em 1839. Aprendeu as primeiras letras com o professor Manoel Joaquim de Oliveira Campos e estudou latim com o padre Domingos Quirino e aos 15 anos de idade ensinou a matéria em Itabaiana. Em 1861 seguiu para a Bahia com a intenção de freqüentar um seminário, mas foi expulso por boemia e indisciplina.

Para ocupar o tempo entrega-se com afino à leitura dos evolucionistas estrangeiros, sobretudo o alemão Ernest Haeckel que se tornaria um dos mais famosos cientistas da época com seus livros “Os Enigmas do Universo” e “As Maravilhas de Vida”.

No campo das produções poéticas Tobias passou a competir com o poeta baiano Antônio de Castro Alves. Os dois faziam parte da chamada corrente condoreira da última etapa do Romantismo.

 Na oratória Tobias se revelava um mestre, qualquer que fosse o tema  escolhido para o debate. O estudo da Filosofia empolgava o sergipano que nos jornais universitários publicou “Tomás de Aquino”, “Teologia e Teodicéia não são ciências”, “Jules Simon”, etc.

Ainda antes de concluir o curso de direito, casou-se com a filha de um coronel do interior, proprietário de engenhos no município de Escada.

Eleito para a assembléia Provincial não conseguiu progredir na política local.

Dedicou vários anos a aprofundar-se no estudo do alemão, para poder ler no original alguns ensaístas germânicos, à frente deles Ernest Haeckel e Ludwig Büchner. Foi em alemão que Tobias redigiu o “Deutscher Kampfer” (O lutador alemão). Mais tarde sairiam de sua pena os “Estudos Alemães”.

A residência em Escada durou cerca de dez anos. Ao voltar ao Recife, aos escassos proventos que recebia juntaram-se os problemas de saúde que acabaram por impedi-lo de sair de casa.

Tentou uma viagem à Europa para restabelecer-se fisicamente, mas não tinha recursos financeiros para isso. Em 1889 estava desesperado. Uma semana antes de morrer, enviou uma carta a Sílvio Romero solicitando que lhe enviasse dinheiro. Sete dias mais tarde falecia, hospedado na casa de um amigo.

Tobias Barreto é patrono da cadeira n.º 38 da Academia Brasileira de Letras. Suas obras principais são: Ensaios e estudos da Filosofia Crítica, 1875; Dias e Noites, 1881; Estudos Alemães, 1880; Polêmicas, 1901. 

Filhos ilustres de Tobias Barreto

Ø    Frei Ângelo dos Reis- nasceu em 1664, entrou na companhia de Jesus em 1693. Faleceu em 1723.

Ø    Antônio Muniz de Souza e Oliveira- nasceu em 1782, se dedicou ao estudo as plantas e raízes para o preparo de remédios. Faleceu em 1857.

Ø    Pedro Barreto de Menezes- nascei em 1809, foi o primeiro escrivão da vila e chefe político liberal e faleceu em 1867. Pedro Barreto era pai do mais ilustre filho da cidade: Tobias Barreto de Menezes.

Ø    Manoel Joaquim de Oliveira Campos- nasceu em 1816, foi professor primário, latinista, poeta, jornalista e deputado provincial. Autor de “Musa Sergipana” e do hino de Sergipe, faleceu em 1891.

Ø    Rafael Arcanjo Montalvão- advogado provisionado, jornalista, deputado, chefe político em Simão Dias e escreveu: “Questão de Limites coma Bahia”. Ele nasceu em 1854 e faleceu em 1924.

Ø    José Antônio de Lemos- funcionário publico, advogado provisionado, poeta, chefe político e deputado por várias legislaturas. Ele nasceu em 1858 e faleceu em1935.

Ø    Elias do Rosário Montalvão- cirurgião dentista, historiador e autor de ‘Meu Sergipe’ e de várias outras obras publicadas. Ele nasceu em 1873 e faleceu em 1935.

Ø    Francisco Barreto Rosário- nasceu em 1874, foi político, intendente, conselheiro, funcionário público, deputado estadual. Morreu em 1946.

Ø    Epifânio da Fonseca Dórea- poeta, jornalista, pesquisador, historiador, crítico, diretor da biblioteca Pública do Estado, deputado estadual e secretário perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico. Ele nasceu em 1884 e faleceu em 1976. (De acordo com as pesquisas de José Francisco Menezes ele não nasceu em Poço Verde como informou a História dos Municípios publicada pelo CINFORM).

Ø    Azarias Barreto dos Santos- nasceu em 1900, foi professor de música, funcionário público e poeta destacado com os livros: “Do Arrebol ao Luar” e “Georgeios-Campos e Líricas Condoreiras”.

Ø    Aberlado Barreto do Rosário- nasceu em 1903, foi bacharel em direito, escritor, jurista, poeta e instituidor de Biblioteca Francisco Barreto.

Ø    Raimundo Geraldo dos Santos- nasceu em 1908, foi vereador, juiz municipal, delegado de polícia, prefeito e chefe de partido. Faleceu em 1979.

Ø    Raimundo Rosa Santos- nasceu em 1911, foi pretor, juiz de direito e desembargador.

Ø    João Valeriano dos Santos- nasceu em 1916, foi vereador, prefeito, deputado estadual em duas legislaturas.

Ø    Aderbal Correia Barbosa- engenheiro agrônomo, poeta escritor, jornalista. Autor de Discurso pronunciado no Horto Florestal da Ibura, Cantos da Minha Terra Tobias Barreto e A terra e a Gente. Nasceu em 1925.

Ø    José Francisco Menezes, ou Muniz Santa Fé- hoje com 84 anos, o poeta é autor de vários como Da Aurora ao Crepúsculo e Vinrações de Fé. Ele e Aderbal são considerados hoje as maiores personalidades vivas de Tobias Barreto.

Ø    José Rosa de Oliveira Neto- jornalista, editor da gazeta de Sergipe, já trabalhou no Jornal da Cidade. Nascido em 1927, ele é autor de Atualidade do Pensamento Pioneiro de Tobias Barreto.

Tobias Barreto hoje Ano 2002

 

População- 43.139

Distância da capital- 127 km

Região- sudoeste (semi-árido)

Principais atividades econômicas- agricultura (milho, mandioca, e feijão), pecuária (bovinos) e comércio (confecções). 

Fontes- Tobias Barreto, a Terra e a Gente, de Aderbal Correia Barbosa

-       Enciclopédia dos Municípios Brasileiros

-       Pesquisas de José Francisco Menezes.