Porto da Folha

Prefeitura Municipal
End.: Praça Padre Manoel de Oliveira, 851
Telefone: 79 349-1284/1310
  - Fax 349-1284
Prefeito(a)  Atual: JOSÉ JÚLIO NUNES DE S. GOMES

Porto da Folha destaca-se pela pega de boi no meio da caatinga 

Município, famoso por suas autênticas vaquejadas, teve na Fazenda Curral do Buraco

 Carla Passos

 A região onde hoje é o município de Porto da Folha começou a ser conhecida no início do século XVII quando Tomé de Rocha Malheiros obteve uma sesmaria de 10 léguas, da serra da Tambanga, ponto inicial do povoamento, até Jaciobá. Posteriormente, Gaspar da Cruz Porto Carreiro, Pedro de Figueiredo e Domingos da Cruz Porto Carreiro vieram substituir Rocha Malheiros na tentativa de colonização  da zona, obtendo a sesmaria concedida por carta de 30 de agosto de 1625.

 De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, no velho povoado da Ilha do Ouro, Gerônimo da Costa Taborda fundou, em1682, um sítio, e se estabeleceu com lavouras e criação de gado, mas não prosperou por causa dos constantes saques promovidos por negros fugidos em mocambos.

Em novembro de 1870, o fidalgo Antônio Gomes Ferrão de Castelo Branco registrou seus títulos imobiliários na Câmara de Propriá, declarando ser de 30 léguas a extensão de suas terras, latifúndio que construiu o morgado de Porto da Folha. 

FAZENDA DO CURRAL DO BURACO 

Porém quem colonizou as terras de Porto da Folha foi Tomás de Bermudes, fundando um curral e fazendo amizade com os índios. “A fazenda Curral do Buraco originou a povoação do buraco, que em 19 de fevereiro de 1841 passou a se chamar Nossa senhora da Conceição de Porto da Folha”, informa a Enciclopédia. Até hoje, quem nasce em Porto da Folha é chamado de buraqueiro. Os moradores mais antigos acreditam que o nome buraco surgiu porque a cidade é cercada de morros, dando a impressão que fica em uma baixada.

Em 23 de março de 1870, a resolução número 841 transfere a sede da freguesia de Nossa Senhora de Porto da Folha para povoado vizinho de Boa Vista, mudando seu nome para vila de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro. E não parou por aí a série de mudanças. Em 28 de abril de 1870, a sede da vila voltou a ser Porto da Folha.

Essas modificações prejudicaram o município, principalmente porque a vila sede da cidade era distante oito quilômetros do porto mais próximo, situado na Ilha do Ouro, cuja ligação era feita por um íngreme caminho.Mesmo depois da construção da estrada, a situação não mudou porque era muito precária. Hoje que o principal meio de transporte do local deixou de ser fluvial e passou a ser rodoviário, o sonho da população é uma estrada em boas condições, para que o acesso a Ilha do Ouro seja facilitado e  o turismo desenvolvido (ver box).

Porto da Folha foi elevado à categoria de município em 11 de fevereiro de 1896, através da lei de número 554, de 6 de Fevereiro de 1954, Porto da folha perde 64% de sua área para criação dos municípios de Curitiba e Poço Redondo. Hoje o município tem nove povoados: Lagoa da Volta, Lagoa do Rancho, Lagoa Redonda, Linda França, Niterói, Mocambo, Umbuzeiro do Matuto, Ilha de São Pedro e Ilha do Ouro. 

Pega de boi na caatinga é tradição em Porto da Folha

 A festa do vaqueiro de Porto da Folha foi criada em 1969. De acordo com um dos criadores do evento, o aposentado José Alves de Farias, conhecido como Tonho de Chico, 67 anos, a pega de boi no meio da caatinga era o esporte do vaqueiro nas horas de folga.

Tonho de Chico, que trabalhava como vaqueiro, já participou de muitas competições com os colegas na mata , até que em 1969 o Frei Angelino deu a idéia de que eles fizessem uma festa todos os anos. Eles criaram a Sociedade Recreativa Parque Nilo dos Santos, com a diretoria de cinco pessoas, e Tonho de Chico foi eleito secretário. O primeiro presidente foi Antônio Pereira Feitosa, que logo depois foi eleito prefeito da cidade. Tonho também foi presidente da associação em dois mandatos.

Na primeira festa só compareceram poucos vaqueiros, os das redondezas. “A gente só soltou três bois no campo, ainda ara uma festa pequena, mas ficamos muito satisfeitos”, lembra Tonho de Chico. Em 1970, por causa de uma seca, os vaqueiros não realizaram a festa, mas a partir de 1971 ela passou a acontecer todos os anos, sempre em setembro, “porque não é inverno e o campo ainda está verde”, explica Tonho.

“A gente começou a chamar os prefeitos e vaqueiros das cidades vizinhas  e a festa cresceu e a cada ano mais gado era solto no campo para os vaqueiros pegarem. Os que conseguiam eram aplaudidos na cidade, desfilavam com o boi todo enfeitado e ganhavam troféus”, lembra Tonho.

Hoje em dia as proporções da festa são muito maiores, pessoas de várias cidades de Sergipe e de fora do Estado vão à vaquejada e são soltos na caatinga mais de 100 bois. Tonho aponta mais uma diferença: “Os vaqueiros de hoje desfilam na cidade com a cara limpinha, na minha época era uma prazer para a gente cavalgar pelas ruas com  o rosto cortado pelo mato, mostrando nossa bravura”. 

Infância em Porto da Folha

·      Agnelo Dantas

 Passada na  querida e inesquecível Porto da Folha, a minha infância foi memorável. Eu tenho muito orgulho de ter nascido buraqueiro. Não esqueço dos banhos no riacho Canudos, tanque velho, nas pedras, Lagoa Cumprida e Ilha do Ouro. Boas lembranças das subidas no alto do Cruzeiro para procurar cavalo-de-flecha, comer miolo d macambira e passar a mão no dinheiro que os devotos deixavam nas festas de madeira. Só não tive coragem de tocar o sino do cemitério, às nove da noite, por uma recompensa de meia dúzias de castanhas- brincadeira tem hora!

Década de 50, rio São Francisco cheio, chegando até o pé da ladeira, árvores cobertas de flores em pleno dia 8, festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição. Era festa mesmo! Até eu dava uma de “membro”’ da banda de música da procissão, o cara do bumbo tocando de um lado e eu completando o som do outro lado. Traquinagem de menino danado! Numa ocasião o músico perdeu a paciência e tascou a baqueta na minha cabeça. Nem deu tempo de sentir dor, desmaiei antes!

Naqueles tempos quem ganhava um velocípede de presente, podia se gabar de estar vivendo a bela e verdadeira infância. Pois bem, eu ganhei o meu velocípede de meus bons pais. Só que tinha de entrar na fila de mais quatro irmãos. Se tinha encrenca...

A festa da padroeira durava o mês inteiro. À noite para a alegria e farra da meninada, funcionava o carrossel de duas ondas (mãe da roda gigante), movidos por uns três ajudantes troncudos, e a iluminação era na base do lampião de gás. Peralta que só, armava para brincar no carrossel sem pagar. Também ali eu mostrava as qualidades no surdo feito de câmara de ar, outro conterrâneo ia de pandeiro, e o cego Expedito tocava sanfona. Bons tempos...

 * Agnelo Dantas é natural de Porto da Folha e aposentado da Petrobrás

 

Porto de Folha tem comunidades negra e indígena 

Uma curiosidade em Porto da Folha é que o município tem uma comunidade de negros remanescente de quilombo e uma de índios Xocós.

O povo Mocambo, às margens do rio São Francisco, foi reconhecido como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares, em 1997. A titulação de posse dos 2100 hectares aconteceu em 2000, mas o processo de desapropriação dessas terras não está finalizada e hoje as 100 famílias do local sofrem muito por problemas fundiários e também com invasores que querem criar gado junto com as plantações da comunidade.

Atualmente, a população da comunidade miscigenou-se muito, principalmente com índios, mas ainda tenta preservar as expressões da cultura negra como o trabalho coletivo, o samba de coco, dançado no dia da padroeira Santa Cruz e no dia da Consciência Negra, o uso de ervas medicinais, etc.

 ÍNDIOS XOCÓS

 Já a Ilha de São Pedro preserva parcialmente as características do povo indígena. Quando os portugueses chegaram à foz do Opará, em 4 de outubro de 1501, existiam diversas tribos indígenas ocupando o Vale do Rio São Francisco. Entre elas se encontravam os Xocós.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios, no final do século XVIII, fundaram nas terras do chefe indígena Pindaíba a Missão da Folha, sediada na ilha de São Pedro, onde viviam 300 índios, que para sobreviver caçavam, pescavam e tinham uma pequena lavoura de mandioca. A comunidade foi entregue a sacerdotes capuchinhos e jesuítas. Atualmente, as 54 famílias que habitam a Ilha de São Pedro são índios Xocós.

A imposição do catolicismo e dos costumes europeus destruíram grande parte da cultura indígena. É tanto que os Xocós do local são católicos e o padroeiro do povoado é São Pedro, mas toda vez  que tem missa , eles dançam Toré, um ritual sagrado realizado em um terreiro afastado da aldeia com dança, indumentária típica e bebida da jurema. A comunidade recebe também muitas influências externas, especialmente através de televisores e telefones públicos.

 Ilha do Ouro tem grande potencial turístico

 O belo e antigo povoado da Ilha do Ouro é um verdadeiro oásis do sertão, localizado em Porto da Folha. Localizado às margens do Rio São Francisco, tem um bom restaurante e bares que servem peixes como surubim e dourado, além de Pitu e camarão.

O visitante que vai à Ilha do Ouro pode tomar banho de rio, conhecer a caibeira, uma árvore de mais de 300 anos na beira do Velho Chico, preservada pelos moradores do povoado, e apreciar a vista do povoado Barra do Ipanema e o morro da Ilha dos Prazeres, do lado alagoano.

O povoado que antes era chamado de Bela Vista nem é uma ilha e nem tem ouro, mas segundo os moradores mais antigos o nome surgiu por causa do cultivo do arroz, já que no período da colheita, brotavam pendões amarelos, que parecem ouro.

As principais festas que aconteciam na Ilha do Ouro são a de Bom Jesus, todos os anos, na segunda semana de janeiro, e o carnaval. 

A VIDA NO RIO

 Os moradores da Ilha do Ouro reclamavam da diminuição de peixes no São Franscisco.O aposentado Manoel Alexandre Filho, 80 anos, que trabalhou como canoeiro e fabricante de canoas, lembra que antes havia uma grandeza de peixes. “O pessoal fazia uma boa safra naquela época”.

Antônio Gomes Feitosa, de90 anos, também trabalhou como canoeiro e sente falta do tempo de fartura do peixe e do arroz. “’Antes aqui tinha muito arroz e peixe. As mulheres trabalhavam toda a madrugada para tratar do peixe. Hoje até caça não tem mais porque não tem mato”, afirma.

Ele lembra também que a ida de barco para Propriá não era demorada por causa da correnteza, mas a volta dependia do vento. “Se ele tivesse favorável chegávamos logo, caso contrário a viagem demorava até cinco dias. E foi o que aconteceu no dia do meu casamento. Todo mundo foi à igreja, mas só cheguei três dias depois”, diz Antônio.

 

Filhos ilustres do município

v   Seixas Dórea- ex-governador de Sergipe

v   Coronel Hermeto Feitosa- combatente na revolução de 1932, comandou a polícia militar de Sergipe, foi deputado estadual por duas legislaturas e presidiu a Assembléia Legislativa

v   Aroaldo Santana- dono do cartório, ex-prefeito da cidade e ex-deputado estadual

v   Antônio Dantas- advogado, professor e ex-diretor de vários colégios de rede estadual

v   Edson Ulisses- advogado e ex-presidente da OAB-SE

v   João José dos Anjos- ex-comandante da polícia militar

v   Padres Lima, João Lima e Gervásio Feitosa e Freis Angelino, Honorato e Petrônio Cardoso

v   Francisco Cardoso- o “buraqueiro” mais velho da atualidade, hoje com 102 anos. Foi agricultor, marceneiro, prefeito e juiz de paz

v   Antônio Carlos du Aracaju- cantor e compositor

 Porto da Folha hoje Ano de 2002

Distância da capital- 190 km

Atividade econômica- milho e feijão

População- 26.635 habitantes

Região- Norte (sertão)

 

Fontes: Enciclopédia dos Municípios, arquivo do Cinform e da Secretaria de Educação de Porto da Folha.